26/01/2009

Marcos Sisti

Três Corações - MG (Cidade em que a família morava na época).

Quisera eu descrever com detalhes inúmeras histórias e causos contados ou vividos por este parente. Infelizmente, Marcos, irmão mais novo de minha avó Myrian, não viveu mais que dois anos.
Minha avó sempre fora muito apegada ao "bebê da família", uma vez que suas irmãs mais velhas (as gêmeas Martha e Maria) tinham afinidades maiores e acabavam sendo mais próximas uma da outra do que de minha avó.

Estávamos esses dias conversando sobre o assunto e decidi escrever sobre o maior trauma, que até hoje atormenta a fonte dos "causos" desse blog. Algo que eu ainda não sabia é que, cerca de uma semana antes da morte do pequeno Marcos, minha avó, que na época tinha apenas 5 anos de idade, havia sonhado com tal acontecimento e acordado chorando. Quando sua mãe a perguntou o que havia acontecido, minha avó se lembra até mesmo das palavras que disse repetidas vezes: "Mãe, eu sonhei que o 'Marquinhos' tinha morrido". Minha bisavó Zina, a fim de acalmar minha avó, levou-a até o berço de seu irmãozinho e mostrou que estava tudo bem (até então).

Cerca de uma semana depois, minha avó lembra-se de, logo pela manhã, sua mãe Zina tê-la avisado que Marcos não estava muito bem naquele dia, havia tido febre alta durante a noite e que permanecera dormindo. Ainda no mesmo dia, minha bisavó perguntou à empregada se ela havia batido ou beliscado o bebê, pois ele estava coberto de manchas roxas, pelo corpo todo; e minha avó ouviu a conversa das duas durante todo tempo.

Minha avó e as gêmeas, passavam o dia na casa de uma vizinha, para que não participassem do clima tenso que pairava sobre a casa. Na época, as gêmeas haviam acabado de completar 6 anos.

Ficou marcado na mente de minha avó (o que chega a assustar, considerando que ela tinha apenas 5 anos naquele dia) o momento em que a empregada de minha bisavó atravessou a rua correndo e, em voz baixa, avisou a vizinha: "Ele morreu!". Minha avó conta ter saido correndo na mesma hora e ter entrado em sua casa gritando.

Marcos foi velado na mesa da cozinha de sua casa, e seu avô mandou colher as melhores orquídeas de seu jardim, que cultivava com muita dedicação, e que não permitia que ninguém, nem mesmo da família, entrasse. Perfumaram seu caixãozinho com o perfume de 'flor de maçã', aroma que até hoje minha avó não pode nem ao menos sentir. E até mesmo o cachorro da família abalou-se com tal acontecimento, ficando o dia inteiro em baixo da mesa em que o caixão de Marcos estava.

As gracinhas e os primeiros passinhos de Marcos não foram esquecidos tão cedo, mesmo porque minha avó relata que as marcas de suas mãozinhas ficaram nas paredes em que ele se apoiava enquanto aprendia a andar, deixando o ambiente ainda mais nostalgico. Pelo que sei, o pequeno parecia ser um bebê alegre e risonho, uma perda horrível para a família.

A causa da doença jamais foi descoberta. Há uma hipótese em que o problema estava na circulação de seu sangue, que fazia o caminho inverso do que deveria, um caso raríssimo, digamos... um em um milhão. Alguns parentes e conhecidos acharam que havia sido envenenamento, mas logo essa hipótese foi descartada pois a morte não ocorreu de imediato, demorou a noite toda para que Marcos começasse a apresentar sintomas de algo mais grave. Outros pensaram que a causa fosse uma explosão que havia ocorrido em um choque entre trens de carga na estação da cidade, em que minha bisavó, grávida, fora jogada longe.

A causa não se sabe; o motivo, não poderemos nunca imaginar. O fato é que, hoje, cerca de 60 anos após o ocorrido, minha avó ainda sente a perda de seu irmão, se emociona ao lembrar e reconhece que, por ter aprendido lidar com a morte tão cedo, sua vida ficara eternamente marcada. Embora não pudesse trazer Marcos de volta, sentiu que o mínimo que poderia fazer era homenageá-lo, dando seu nome a um de seus filhos.

Abaixo uma poesia que meu bisavô Luiz Guerra Paixão (pai de Marcos) fizera em sua homenagem:

A meu filho Marcos (falecido)

Dorme meu filho na Mansão de Deus,
N'um bercinho de rosas celestiais...
Flores que emanam dos carinhos meus,
Das dores e saudades de teus pais...

A Virgem Mãe, que é fonte de ternura,
Embalará teu sono angelical...
Dando-te a conhecer toda doçura,
Que emana do seu seio maternal.

Nas horas de saudades, que hei vivido,
A tua imagem não me sai da mente...
E julgo, comtemplar-te embevecido,

No enleio de um feliz momento,
Em uma estrela nova e reluzent
e,
Engastada ao azul do firmamento.

Luiz Guerra Paixão



















a única foto de Marcos

Um comentário:

DANY Z... disse...

Oi Malu,

Que história triste... cheguei a me arrepiar inteira...

Bem, deixando lembranças triste de lado por um minuto, quando puder, dê uma passadinha no meu blog, tem um selinho para vc...

Adorei o texto!

Bjsssssssssss!

Dany